De Guilherme a Laura
Não, não se trata de mais uma estória dessas, que inundam os tablóides, de transexuais. O Guilherme não existe e a Laura respira vida. Na realidade, este post fala da vitória do mais forte sobre o mais fraco, ou seja, da mulher sobre o homem.
Tudo começou, tam, tam, há um tempo atráis ná ilha do Sol (n resisti à musiquinha). Fora de brincaderias, porque estou a falar de coisas sérias, este episódio começa há uns meses atrás, quase cinco. Lá longe, muito longe nas gélidas e neutras terras suiças, um jovem casal subia e descia montanhas, escarpas e montes. De visita ao cantão francês, onde o irmão do jovem lecciona educação física, o casalinho viveu intensamente o amor que unjanitos antes osjuniu. Passearam, passearam até que se cansaram e voltaram à Lusitânia. Já cá, e num belo dia de sol a rapariga sentiu uma leve tontura. Deambulou durante uns dias e...a tonteira revelava-se um ser que timidamente dava as primeiras espreguiçadelas. A miúda estava grávida. "Ai, que grande alegria"- foi o eco que se ouviu, proferido pelos avós, tios, tias, bisavós, amigos, amigas e prima.
De imediato se colocou a questão que se impunha: "menino ou menina?" Com cautela, porque nestas coisas é preciso ter cuidado para não ferir susceptilidades, lá se ouvia: "hum, quer-me parecer que essa barriguita espetadota é menino", ou "a cara assim redonda, só pode ser menina", ou ainda "o jogo da agulha não falha, e se diz que vais ter dois meninos, vem aí uma piloca".
Ora, se era de uma salsichinha que se tratava, a pergunta seguinte prendia-se com o nome do petiz. Prontamente, papai e mamãe disseram em uníssono: "Guilherme".
Perfeito. O Gui e a sua virilidade eram parte integrante de conversas.
Esta é a altura em que eu tenho que fazer um confissão: EU QUERIA UMA RAXINHA E NÃO UMA PILINHA! Mas, a verdade é que eu não mandava nada, e nada tinha a ver com o assunto. Se é gajo, então que seja. Comprometi-me a enchê-lo de beijinhos e apertões de igual modo. Mas que eu preferia uma menina, lá isso preferia. Pronto. Sou assim. As Barbies, os vestinhos, as pulseiras, os brincos, os laçarotes, as saias, o cor-de-rosa e as coisas coquetes são mais a minha onda. Assumo. Mas também não escondo, rapidamente "encasquetei" que ia ser um guilherminho reguila, que me iria encher de pontapés nas canelas e vencer-me nas corridas de carrinhos no passeio da estrada. Então não é, que na bela da ecografia o bebé se pôs mesmo a jeito e...é uma MENINA!!!
Apesar dos segundos de silêncio que se viveram aquando da notícia, é surpreendente ver que, quando o assunto são crianças os nossos sentimentos se alteram velozmente. Gui? Quem?
A Laura (que também poderá ser Madalena) cresce a olhos vistos e prepara-se para ser mais alta que eu. Estou desejosa de te conhecer para brincarmos aos chás e as cozinhas. E é maravilhoso pensar que podemos usar o porta-chaves do snoopy com a mesma letra "L".
Um grande beijinho.
Desejando felicidades vezes infinitos, aprendi uma lição nesta bela estória de amor: não confies no jogo da agulha, porque falha!