terça-feira, 14 de setembro de 2004

Madonna

Foi demais. Há tanto para dizer sobre a noite de ontem, que as palavras se tornam demasiado fracas para descrever o que vivi.
Sim, pode ser um exagero. Um excitamento típico. Mas, a verdade é que foi mesmo muito bom.
Se há 15 anos me dissessem que um dia iria ver a Madonna em concerto...desmaiava. Na realidade, nunca me poderiam dizer tal. Nessa altura, ninguém imaginava que isso pudesse acontecer. Sempre me contentei com as fotos das revistas, os telediscos e os programas especiais de televisão. Sim, claro que eu era daquele tipo que gravava cada frame e cortava todos os recortes de jornal alusivos a ela. Ainda hoje, tenho tudo guardado num caixa: poster's, revistas, vinis, letras de música, cassetes de vídeo...sei lá. Era tanta coisa que chegava a ser ridículo.
Quando eu tinha 12 anos, a Madonna era (mesmo) o máximo! Vestia-se de uma forma super cool, com roupas de renda, milhares de pulseiras, fios, crucifixos, cabelo louro e despenteado, e...tinha um sinal por cima do lábio! Todas a imitavam. Mal ou bem, não havia miúda que não admirasse a estrela.
O engraçado é que, ontem todas essas imagens surgiram na minha cabeça. Cada frase daquelas canções me fez recordar momentos lá detrás. Um tempo que eu já tinha esquecido.
Apesar de o show ter sido alucinante, a melhor parte foi essa viagem ao passado que fiz naquelas duas horas. Tenho saudades, ponto.
E nostálgica fiquei da Madonna que eu ouvia vezes sem conta. A Madonna do "Dress you up" ou do "Borderline". Essa miúda expontânea, simples e natural. Não tinha tanta classe, nem fazia parte do melhor espectáculo do mundo. Era, somente, uma gaja irreverente, com a mania que era gira, que cantava bem e bastante convencida...! Era o máximo e vibrava com cada passo de dança, cada música, cada engano em palco.
A Madonna de ontem, não. É uma máquina. Agora, tudo é pensado ao pormenor. Nada falha. Tudo corre bem. Os enganos emendam-se, sem que ninguém repare. Uma mega-produção onde existe uma Madonna perfeita. Os 46 anos que se leêm no passaporte, não revelam a energia e a resistência de uma senhora, que se mantem duas horas a dançar em cima de um palco. A voz está melhor que nunca. Aliás, acho que agora é que ela aprendeu a cantar!
No "Into the Groove" fui ao rubro. O "Like a Prayer" deixou-me rouca. E o "Crazy for you" uma lagrimita no cantinho do olho ;)
Há tantas situações fotografadas na minha mente, que um textinho é mesmo muito pouco para descrever o espectáculo de ontem, no Pavilhão Atlântico.
Há sonhos que nos esquecemos, que um dia tivemos. E sem repararmos, eles tornam-se reais. Aconteceu-me ontem.

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